atualizado 30/08/2022 18:25
Rio de Janeiro – Após ter a prisão relaxada e sair do Brasil, o cônsul alemão Uwe Herbert Hahn, que responde por homicídio triplamente qualificado contra o marido, usou um aplicativo de mensagens para ameaçar uma das testemunhas no caso.
Ameaçado, o homem, que era amigo do belga Walter Henri Maximilien Biot, procurou a 14ª DP (Leblon) nesta terça-feira (30/8) para registrar a ocorrência, logo após a troca de mensagens com o diplomata.
Belga Walter Biot foi encontrado por médico do Samu em parada cardiorrespiratória e com lesões no corpoReprodução

Cônsul alemão tenta coagir testemunha no caso a retirar as acusações contra eleDivulgação
Polícia investiga o caso como coação no curso do processoDivulgação
O casal estava junto há 20 anos e possuía passaporte diplomáticoReprodução
O cônsul alemão Uwe Herbert Hahn foi preso nesse sábado (6/8)Reprodução/ TV Globo
Walter Henri Maximilien Biot envia mensagem ao irmão falando sobre agressões no relacionamentoReprodução
Laudo do IML aponta múltiplas lesões no corpo do belga Walter Henri Maximilien Biot, de 52 anosReprodução
Belga Walter Biot foi encontrado por médico do Samu em parada cardiorrespiratória e com lesões no corpoReprodução
Cônsul alemão tenta coagir testemunha no caso a retirar as acusações contra eleDivulgação
No texto, Hahn, que está na Alemanha desde a manhã dessa segunda-feira (29), faz ameaças. Ele diz que vai falar às autoridades brasileiras que a testemunha é traficante e roubou dinheiro de Walter Biot caso o depoimento dela, que acusa Uwe de ser arrogante e violento, não seja retirado.
“Estou em segurança. Você não. E você conhece a polícia, eles vão adorar a verdade sobre você. A delegada vai publicar tudo, mesmo sem provas”.
A testemunha rebate: “Eu não preciso estar seguro, ou fugir do país, diferente de você. Você é um assassino e matou meu amigo e vai pagar por isso”, diz.
“Você é procurado pela Interpol, ontem condenado a retornar à prisão, eu não vendo droga alguma, diferentemente de você, e se você matou seu marido e sabe disso. E eu não peguei dinheiro do seu marido que você ama tanto é que você deixou aqui. Era Walter que sempre me ajudava e que se escondia de você, que era submisso a você, que era aterrorizado por você”, completou.
De acordo com a Polícia Civil, o caso será investigado como coação no curso do processo.
Exame no apartamento
Segundo o jornal O Globo, o laudo da perícia feita no apartamento de Hahn e Walter, em Ipanema, na zona sul do Rio, aponta que “o conjunto de lesões da vítima, descrito nos laudos do IML supramencionados, não é compatível apenas com queda frontal da própria altura”.
Isso porque, logo após a morte do marido, Hahn afirmou à polícia que o companheiro teria sofrido um mal súbito e batido com a cabeça no chão. No entanto, Walter apresentava múltiplas lesões no corpo, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML).
Ainda conforme apontam os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia Civil, apesar da identificação de manchas de sangue em vários ambientes do apartamento, a não preservação do local, a remoção do cadáver e acionamento tardio da perícia comprometem o resultado final. “Torna-se prejudicado determinar o nexo de causalidade entre os vestígios relatados e as lesões da vítima”, afirma o documento.
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