03-11-2025
A Polícia do Rio de Janeiro realizou a maior apreensão de fuzis em uma única operação em favelas: foram ao menos 91 armas. Estes armamentos, encontrados na megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão, são de calibres capazes de perfurar coletes à prova de balas ou até mesmo paredes. Muitos desses fuzis chegam ao Brasil via fronteira com o Paraguai ou pela Amazônia.
No entanto, a investigação revela uma nova e sofisticada fonte de arsenal: um esquema de fábricas clandestinas em Minas Gerais e em São Paulo, que alimenta o arsenal do Comando Vermelho. Imagens inéditas obtidas pelo Fantástico mostram como funcionava essa complexa rede.
Pelo menos uma vez por mês, segundo a PF, Rafael Xavier do Nascimento transportava fuzis de São Paulo para o Complexo do Alemão, comunidades da Zona Norte do Rio e áreas de milícias. Ele foi preso em flagrante com 13 fuzis na Via Dutra.
A investigação da Delegacia de Repressão a Drogas da Polícia Federal também encontrou no telefone de Rafael uma série de mensagens trocadas com o destinatário das armas de guerra
As armas eram produzidas em Santa Bárbara d'Oeste, no interior paulista. A fábrica utilizava pelo menos 11 equipamentos industriais de precisão, como tornos e fresadores. No local, a PF apreendeu cerca de 150 fuzis prontos, além de mais de 30 mil peças. A linha de montagem tem capacidade para fabricar até 3.500 fuzis por ano.
"Ele fabricava o fuzil por inteiro. Era uma planta industrial profissional. Não era uma fábrica de garagem... Eram equipamentos de alta precisão que custavam milhões de reais", explica o delegado Samuel Escobar.
Nas imagens reveladas pela PF, também aparece Anderson Custódio Gomes, do núcleo operacional da quadrilha. Ele e um comparsa foram presos em flagrante transportando peças suficientes para a produção de 80 fuzis. Tinham saído da fábrica e iam para o depósito da quadrilha, na cidade de Americana, também em São Paulo.
A fachada do crime era o CNPJ de uma fábrica de peças aeronáuticas. A propriedade é do piloto de avião Gabriel Carvalho Belchior. Em 2015, ele foi notícia quando a aeronave que pilotava caiu no mar da Praia do Leblon, no Rio.
Antes da operação da PF, no início do mês passado, Gabriel já tinha saído do país. Em mensagem de voz enviada a um parente, ele diz que está nos Estados Unidos.
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