20-08-2025
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em sua quinta tentativa de concorrer à Presidência da Bolívia, Jorge "Tuto" Quiroga está confiante para a disputa do segundo turno, em 19 de outubro, contra Rodrigo Paz, considerado uma surpresa no pleito. Os dois candidatos marcaram o fim do ciclo do MAS (Movimento ao Socialismo), de Evo Morales e Luis Arce, em votação no último domingo (17), a data do primeiro turno.
Quiroga foi presidente da Bolívia por um curto espaço de tempo, de 2001 a 2002. Ele chegou ao cargo após firmar aliança com o então ditador, Hugo Banzer, de quem foi vice.
Desde que saiu do posto, vem tentando voltar a ele com uma plataforma de reformas liberais. Sua outra área de atuação preferida é junto aos opositores venezuelanos. Quiroga faz críticas intensas a Nicolás Maduro, assim como apoia gerações distintas de opositores que tentam destroná-lo, de Juan Guaidó a María Corina Machado e Edmundo González.
O candidato também defende cooperação para a área de segurança e afirma que, atualmente, a Bolívia "exporta mais cocaína por meio do Brasil do que gás". Leia a seguir a entrevista, feita por videoconferência.
PERGUNTA - O sr. entrou cedo na política e chegou a ser o presidente mais jovem que a Bolívia já teve. O que traz dessa experiência?
JORGE QUIROGA - Tive a sorte profissional e a desgraça que significou governar na década perdida da América Latina [Quiroga governou de 2001 a 2002, após ser vice do ditador Hugo Banzer].
Era complicado governar no meio das coisas que estavam acontecendo na região: a Argentina às vésperas do "estallido" [protestos em massa], o Brasil fazendo as mudanças para implementar o real, a Bolívia ainda estava tentando proteger sua moeda com as explorações dos nossos recursos, sem a preocupação de pensar nos investimentos em infraestrutura e em busca de olhos e carteiras dos empresários de fora.
P. - Esse cenário atual, em que faltam dólares e no qual parece que a tensão popular vai, a qualquer momento, começar a invadir as ruas, não o preocupa?
JQ - Não. A Argentina foi para o chão, é certo. Queimaram-se bancos, o Uruguai colapsou também por causa do trauma argentino e demorou para encontrar alguma saída.
Quem deu uma saída naquela época, em que muitos nos inspiramos, foi o Brasil com o Plano Real, com o [ex-presidente brasileiro] Fernando Henrique Cardoso, e que de certo modo foi mantido por seus sucessores. Nós queríamos seguir isso, mas eram tempos econômicos muito complicados.
Enquanto estive no cargo, fui ao diretório do FMI [Fundo Monetário Internacional], ao Banco Mundial, ao BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], ao CAF [Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe]. Eliminamos todas as dívidas da Bolívia para fora e a voltamos a políticas internas. Dedicamos grandes verbas para programas sociais em municípios indígenas.
Também no meu curto governo abrimos mercados para o interesse americano, para empresas de manufaturas e têxteis. E abrimos o mercado europeu para a castanha amazônica.
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