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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

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Exportamos mais cocaína do que gás por meio do Brasil, diz candidato no 2º turno à Presidência da Bolívia

Jorge "Tuto" Quiroga foi presidente por curto período, de 2001 a 2002; agora, concorre pela quinta vez ao cargo, contra o candidato 'surpresa', Rodrigo Paz

Exportamos mais cocaína do que gás por meio do Brasil, diz candidato no 2º turno à Presidência da Bolívia
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20-08-2025

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em sua quinta tentativa de concorrer à Presidência da Bolívia, Jorge "Tuto" Quiroga está confiante para a disputa do segundo turno, em 19 de outubro, contra Rodrigo Paz, considerado uma surpresa no pleito. Os dois candidatos marcaram o fim do ciclo do MAS (Movimento ao Socialismo), de Evo Morales e Luis Arce, em votação no último domingo (17), a data do primeiro turno. 

Quiroga foi presidente da Bolívia por um curto espaço de tempo, de 2001 a 2002. Ele chegou ao cargo após firmar aliança com o então ditador, Hugo Banzer, de quem foi vice. 

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Desde que saiu do posto, vem tentando voltar a ele com uma plataforma de reformas liberais. Sua outra área de atuação preferida é junto aos opositores venezuelanos. Quiroga faz críticas intensas a Nicolás Maduro, assim como apoia gerações distintas de opositores que tentam destroná-lo, de Juan Guaidó a María Corina Machado e Edmundo González. 

O candidato também defende cooperação para a área de segurança e afirma que, atualmente, a Bolívia "exporta mais cocaína por meio do Brasil do que gás". Leia a seguir a entrevista, feita por videoconferência. 

PERGUNTA - O sr. entrou cedo na política e chegou a ser o presidente mais jovem que a Bolívia já teve. O que traz dessa experiência? 

JORGE QUIROGA - Tive a sorte profissional e a desgraça que significou governar na década perdida da América Latina [Quiroga governou de 2001 a 2002, após ser vice do ditador Hugo Banzer]. 

Era complicado governar no meio das coisas que estavam acontecendo na região: a Argentina às vésperas do "estallido" [protestos em massa], o Brasil fazendo as mudanças para implementar o real, a Bolívia ainda estava tentando proteger sua moeda com as explorações dos nossos recursos, sem a preocupação de pensar nos investimentos em infraestrutura e em busca de olhos e carteiras dos empresários de fora. 

P. - Esse cenário atual, em que faltam dólares e no qual parece que a tensão popular vai, a qualquer momento, começar a invadir as ruas, não o preocupa? 

JQ - Não. A Argentina foi para o chão, é certo. Queimaram-se bancos, o Uruguai colapsou também por causa do trauma argentino e demorou para encontrar alguma saída. 

Quem deu uma saída naquela época, em que muitos nos inspiramos, foi o Brasil com o Plano Real, com o [ex-presidente brasileiro] Fernando Henrique Cardoso, e que de certo modo foi mantido por seus sucessores. Nós queríamos seguir isso, mas eram tempos econômicos muito complicados. 

Enquanto estive no cargo, fui ao diretório do FMI [Fundo Monetário Internacional], ao Banco Mundial, ao BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], ao CAF [Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe]. Eliminamos todas as dívidas da Bolívia para fora e a voltamos a políticas internas. Dedicamos grandes verbas para programas sociais em municípios indígenas. 

Também no meu curto governo abrimos mercados para o interesse americano, para empresas de manufaturas e têxteis. E abrimos o mercado europeu para a castanha amazônica. 

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