11-10-2025
Fim da guerra em Gaza: entenda os próximos passos das negociações
Ainda persiste a incerteza sobre pontos levantados por Trump, como o desarmamento do Hamas

Israel afirmou, nesta quinta-feira (9), que todas as partes assinaram a versão final da primeira fase do acordo com o Hamas para um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns israelenses, com o objetivo de pôr fim a dois anos de guerra.
Esse acordo entre Israel e o Hamas foi elaborado a partir de um plano de 20 pontos proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e prevê a libertação dos reféns israelenses que continuam vivos em troca da libertação de cerca de dois mil prisioneiros palestinos.
A libertação dos reféns "deveria pôr fim à guerra", disse o chanceler israelense, Gideon Saar, e o negociador-chefe do Hamas, Khalil al Hayya, afirmou ter obtido "garantias dos mediadores irmãos e da administração dos Estados Unidos confirmando que a guerra chegou ao fim".
A porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, informou que todas as partes assinaram, no Egito, a versão final desse acordo para a primeira fase do plano, após negociações indiretas na cidade turística de Sharm el-Sheikh, com a mediação de Estados Unidos, Catar e Turquia.
Ratificação e reações
Para entrar em vigor, o acordo devia ser validado, nesta quinta-feira, pelo gabinete de segurança israelense, antes de uma reunião com todo o Executivo. O ministro israelense de Segurança Interna, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, declarou que votaria contra.
Em Khan Yunis, no sul da devastada Faixa de Gaza, palestinos aplaudiram e gritaram de alegria quando o acordo foi anunciado, segundo imagens da AFP. "Apesar de todos os mortos e da perda de entes queridos, hoje estamos felizes após o cessar-fogo... estamos felizes", afirmou Aiman al Najar.
Na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, as pessoas também se abraçavam e se felicitavam com a esperança do retorno dos cerca de 20 sequestrados que ainda estão vivos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu celebrou "um grande dia para Israel" e declarou que Trump deveria receber o Prêmio Nobel da Paz.
Pontos em aberto e próximas etapas
Ainda persiste a incerteza sobre outros pontos levantados por Trump, como o desarmamento do Hamas e o fato de Gaza ser governada por uma autoridade de transição liderada por ele próprio.
O dirigente republicano detalhou que haverá um "desarmamento" na próxima fase do acordo e que a prioridade, por enquanto, é o retorno dos reféns.
O Hamas, por sua vez, rejeitou a ideia de uma autoridade de transição chefiada pelo próprio Trump. "Nenhum palestino poderá aceitar isso. Todas as facções, inclusive a Autoridade Palestina [que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada], rejeitam", afirmou Osama Hamdan, dirigente do grupo islamista.
Início do cessar-fogo e contexto da guerra
Israel espera visita de Trump no domingo. Trump anunciou que tentará viajar ao Egito para a assinatura do acordo de cessar-fogo, após ser convidado por seu homólogo Abdel Fatah al-Sisi.
Israel informou que o cessar-fogo começará nas 24 horas seguintes à aprovação do gabinete de segurança do governo israelense, uma frágil coalizão liderada pelo Likud, de Netanyahu, mas que depende de outras formações de extrema direita. O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, aliado-chave do partido Sionismo Religioso, já adiantou que não apoiará o acordo.
O pacto busca encerrar dois anos de guerra em Gaza, um conflito que começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em território israelense, que deixou 1.219 mortos, em sua maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que já deixou pelo menos 67.194 mortos em Gaza, de acordo com os números do Ministério da Saúde do governo do Hamas.
A porta-voz do governo israelense declarou que o proeminente prisioneiro palestino Marwan Barghuti, membro do Fatah, a facção palestina rival do Hamas, não fará parte da troca.
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Situação humanitária e retirada de tropas
Bombardeios continuam em Gaza após o anúncio, com a Defesa Civil de Gaza informando sobre novos ataques israelenses. Para que a troca seja concretizada, o Exército israelense anunciou que prepara a retirada de suas tropas do território palestino, do qual controla aproximadamente 75%.
Trump anunciou em sua rede social Truth Social que "TODOS os reféns serão libertados em breve e Israel retirará suas tropas para uma linha acordada, como primeiros passos rumo a uma paz forte, duradoura e eterna". Das 251 pessoas sequestradas pelo movimento islamista em seu ataque de 2023, 47 ainda estão em Gaza, 25 das quais já morreram, segundo o Exército israelense.
Com o cessar-fogo, está previsto que pelo menos 400 caminhões de ajuda entrem diariamente na Faixa durante os primeiros cinco dias, informou uma fonte do Hamas. O Crescente Vermelho egípcio afirmou que 153 caminhões já estavam a caminho.
Quase uma em cada seis crianças sofre de desnutrição aguda em Gaza devido à guerra, concluiu um estudo publicado na revista The Lancet.
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