02-08-2024
"As pessoas vão encarar lobos ferozes", diz Katiusca Camargo, líder comunitária em Petare, uma enorme favela no leste de Caracas, temendo uma violenta repressão às vésperas de uma manifestação nacional convocada pela oposição para denunciar a reeleição do presidente Nicolás Maduro como fraudulenta.
Doze pessoas - onze civis e um militar - perderam a vida desde que protestos espontâneos eclodiram na segunda-feira (29) após a vitória do mandatário venezuelano.
Muitos dos manifestantes são de Petare, uma enorme favela com casas precárias e intrincadas vielas e escadarias que se elevam sobre as montanhas que cercam o vale de Caracas.
Referência no bairro de San Blas de Petare, integrante de uma ONG e reconhecida opositora de Maduro, Katiusca Camargo acredita que o governo deseja dissuadir a população de sair às ruas às vésperas de uma grande concentração convocada para sábado pela líder da oposição, Maria Corina Machado.
"Temos mortos, feridos, detidos, desaparecidos. As pessoas sabem. As pessoas têm medo. Elas sabem que vão enfrentar gente armada, lobos ferozes", diz Camargo, que tem a palavra "Resiliência" tatuada no braço direito.
Ela se refere aos "colectivos", grupos armados pró-governo que apoiam Maduro, sucessor do falecido presidente socialista Hugo Chávez e que governa a Venezuela desde 2013. Eles operam em pequenas células, sem ordens oficiais, com uma estratégia de disseminação do terror.
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