23-12-20
O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, afirma que a única saída para o ministro Alexandre de Moraes diante das denúncias envolvendo o caso do Banco Master é apresentar provas cabais de que as acusações não são verdadeiras. Segundo ele, a sucessão de revelações sobre pressões institucionais, relações privadas e decisões judiciais transformou o episódio em uma grave crise política e jurídica.
Em artigo publicado em seu blog, Merval sustenta que a liquidação do Banco Master “ganha contornos cada vez mais graves”, envolvendo diferentes setores da administração pública e revelando como o lobby sem regulamentação “envenena por dentro o governo”. Para o colunista, o Supremo Tribunal Federal é a instituição mais afetada, justamente pela insegurança jurídica provocada por atitudes individuais de seus ministros.
O texto destaca que o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, atualmente utilizando tornozeleira eletrônica, “exibe sua influência” à medida que novos desdobramentos vêm à tona. Um dos pontos centrais da controvérsia é a revelação feita por Malu Gaspar de que Alexandre de Moraes teria se encontrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar de interesses do Banco Master, além de ter feito outros três contatos telefônicos com o chefe da autoridade monetária.
Merval classifica como “muito grave” essa revelação e afirma que, a cada novo episódio envolvendo interesses privados e decisões do STF, a Corte perde credibilidade e o país mergulha ainda mais na insegurança jurídica. Ele lembra que, anteriormente, Malu Gaspar já havia revelado que Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro, mantinha um contrato com o Banco Master no valor de R$ 3,6 milhões por mês, o que, segundo o colunista, “por si só levanta dúvidas sobre o comportamento pessoal de ministros que tratam do caso”.
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