30-01-2026
Meses antes de ser assassinada, a corretora Daiane Alves de Souza já mantinha um embate judicial com Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico que confessou o crime. Em abril de 2025, Daiane ingressou com uma ação por danos morais, alegando ter sido alvo de ofensas que teriam atingido sua honra e imagem.
O processo tramita no 2º Juizado Especial Cível de Caldas Novas. Na petição, a corretora pediu indenização de R$ 30.360 e relatou que vinha sofrendo ataques atribuídos a Maicon em redes sociais. Como provas, foram anexados vídeos e capturas de mensagens de WhatsApp.
Na ação, Daiane afirmou que “a promovente alega que tem sofrido ofensas do promovido, realizadas por suas redes sociais”, sustentando que as publicações extrapolaram o direito de crítica e causaram prejuízos pessoais e profissionais.
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Prisões mantidas após audiência
Maicon foi preso na quarta-feira (28), suspeito de auxiliar o pai no assassinato da corretora. No dia seguinte, ele e Cléber Rosa de Oliveira passaram por audiência de custódia, que resultou na manutenção das prisões.
Ao comentar o caso, o Ministério Público de Goiás informou que os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos dentro da legalidade e que, durante a audiência, “nenhum dos investigados relatou qualquer tipo de abuso, ilegalidade ou coação por parte dos agentes públicos que participaram da operação”. Com isso, as detenções foram homologadas.
Confissão e versões contraditórias
Cléber Rosa de Oliveira foi preso na madrugada de quarta-feira e confessou à Polícia Civil ter matado Daiane. Segundo os investigadores, foi ele quem indicou o local onde o corpo havia sido deixado, em uma área de mata, onde foi encontrado em avançado estado de decomposição.
Em depoimento, o síndico afirmou que matou a corretora após uma discussão no subsolo do prédio, no dia 17 de dezembro de 2025, data em que ela foi vista pela última vez. Ele disse ter agido sozinho e relatou que transportou o corpo na carroceria de sua picape.
A narrativa, no entanto, diverge de uma versão anterior apresentada por Cléber, na qual ele negava ter saído do condomínio naquela noite. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram o suspeito deixando o prédio por volta das 20h, dirigindo o veículo citado.
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Desaparecimento e investigação
Daiane desapareceu depois de descer ao subsolo do edifício para verificar uma queda de energia em seu apartamento. Registros de câmeras mostram a corretora entrando no elevador e conversando com o porteiro. Em seguida, há um intervalo de cerca de dois minutos nas gravações, justamente no momento em que ela retorna ao subsolo. Não há imagens que indiquem sua saída do prédio.
Outro elemento considerado relevante é o hábito da corretora de gravar vídeos de seus deslocamentos e enviá-los a uma amiga. Um desses registros, feito no subsolo, nunca foi localizado. No dia do desaparecimento, Daiane deixou o apartamento destrancado, não levou objetos pessoais e não embarcou em uma viagem que faria para Uberlândia (MG).
Após semanas sem contato ou qualquer sinal de vida, o caso passou a ser tratado oficialmente como homicídio. As prisões ocorreram depois de oitivas, análises técnicas e cruzamento de informações realizados por uma força-tarefa da Polícia Civil.
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