- 26/10/2023 06:44
- Atualizado em 26/10/2023 09:22
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Notícia do Amazonas – A seca extrema que assola o Norte do Brasil está impondo um novo recorde negativo nos rios da Amazônia. Pela primeira vez em 121 anos de registros, o rio Negro, vital para a região, atingiu uma profundidade inferior a 13 metros.
Esses dados alarmantes são fornecidos pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB), que monitora o nível do rio diariamente em Manaus (AM). Na quarta-feira (25), o rio Negro, medido no Porto de Manaus, marcou 12,73 metros, embora seu declínio tenha diminuído, de 10 cm por dia para uma média de 6 cm.
Enquanto isso, o rio Solimões, em Tabatinga, subiu 15 cm. O nível do rio amazônico continua a bater novos recordes de baixa diariamente desde segunda-feira (16), quando ultrapassou o mínimo histórico de 13,59 metros. Anteriormente, a marca mais baixa havia sido registrada em 2010, com 13,63 metros, em uma estiagem devastadora.
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No Porto de Manaus, onde a medição é realizada diariamente, o rio Negro caiu para 12,99 metros no domingo, e na segunda-feira caiu para 12,89 metros. Em comparação, quando o rio está cheio e preenche a orla do porto, atinge uma cota que varia entre 27 e 29 metros.
A previsão dos especialistas é que o rio leve um tempo considerável para se recuperar, uma vez que os padrões de chuva na região foram impactados pelo fenômeno El Niño, causando um atraso na elevação do nível da água. É provável que a descida do rio Negro continue por mais duas ou três semanas, conforme indicado pelo pesquisador de geociências do SGB, Marcus Suassuna.
Nas áreas do Alto Rio Negro, espera-se que os níveis mínimos persistam até 2024. “Em locais onde a estiagem ocorre em fevereiro, a situação é muito preocupante, pois já estão registrados níveis muito baixos, e o prognóstico até fevereiro não é favorável, devido aos impactos contínuos do El Niño na região, que devem permanecer fortes até o primeiro semestre do próximo ano”, afirma Suassuna. A região enfrenta desafios sérios devido a essa seca histórica, que pode impactar não apenas o ecossistema amazônico, mas também as comunidades locais que dependem desses rios para suas atividades cotidianas.
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